11.28.2005

Nosso Teatro

Me vi te olhando. Não a ti, exatamente. Se o pudesse, seria. Mas a janela que se abria, me mostrava onde estavas. Apenas teu refúgio. Não a tua face. Estiquei os olhos. Mas não vi teu vulto. O que queria, era ver teus olhos. Ouvir tua alma. Como tuas palavras que me falam ao pé do ouvido pelo branco do papel. Queria largar a minha prisão, sair do nosso labirinto. Conseguir errar meu papel no nosso teatro. Queria poder falar o que escrevo. Ouvir o que leio. Mas quando nossas realidades se encontram, as personagens tomam conta. As frases, escorregadias, se sobrepõem ao que nossos olhares entregariam, talvez, se pudesse te ver. Mas não te vi. E não quero que me apaixonar por vista. Na verdade, não quero à vista. Saber que te li, é saber que não foi por vista. Ao não te ver, não foi à vista. Foi por dentro. De dentro. Foi traçado, construído, perdido. Mas nunca passado. Não tenho pressa. Não quero pressa. Quero, sim, sentir a prazo; intensificar em cada ponto, a cada vista, a cada passo. Quero desaprender a aprender. Aprender a inventar. Inventar ao desejar. Quero o sentimento, não o momento; a espera, não o súbito; procurar, não encontrar. Quero te dizer, não encenar. Enfim, quero aprender a amar.

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Que essas palavras ressoem só em mim. E em você. Que nosso teatro nos ensine a nos compreender.

1 comentários:

Marcelo Ribeiro disse...

Abre as tuas cortinas e deixe que comece a peça. Há um cenário dentro de ti e uma platéia que aplaude. Se a loucura está por vir, nós somos testemunhas dela e faremos de tudo pra que nos invada! Mas, por favor, não deixe de abrir as cortinas...