Voltei a ficar afogada em pensamentos. São muitos que terminam por, às vezes, não me deixar respirar. Debaixo desse mar, vejo tuas imagens passarem. Me sinto sufocar. Facilmente, eu poderia confundi-los com saudades... mas, por pensar, e me prender a isso, acabo por temer qualquer classificação. Deixa-me chamá-los de pensamentos, apenas. Permita-me deixar de lembrar de ti. Deixa-me pensar que te esqueci. Deixa-me só, se estás feliz. E se fui eu que apareci, perdão. Não foi só tu que amaste. Nem só tu que não esqueceste. Me confundes. Ou só eu me confundo. Me prendes. Por mais contraditório que sejas para mim. Por mais bonzinho que eu te ache. Por mais irritada que tenha ficado, ou que às vezes fique. Mesmo que não imponhas tua vontade, ou que fales demais, ou que demores a aceitar o fim das discussões. Talvez, se fosse hoje, tudo fosse diferente. Talvez eu pudesse manter-me imersa naquele mar de nuvens que semeamos. E meu corpo não clamaria no meu silêncio infantil. No meu medo imaturo. Mas o hoje continua berrando que já passou. E o tempo continua se dissolvendo ao meu redor. Abro minha gaveta e te vejo ao meu lado. Olho meu relógio girar ao contrário. Saio e te vejo nas esquinas. Fecho meus olhos e brinco de fantasiar. Brinco de dialogar, no meu escuro, no meu suspiro. E brinco de ouvir de ti o que queria ouvir. É hoje. E te amei. E uso o verbo no passado. Me confundes. Não sei mais de nada. Deixa-me chamá-los de pensamentos, apenas.Não imaginas o quanto tenho pensado e evitado pensar nesses dias. Acordaste, novamente, em mim.
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Imagem: Esboço feito com olhos entreabertos.
Releitura em uma madrugada.
Inspiração: Salvador Dalí

2 comentários:
Fiquei receando comentar... Pra fingir que não havia lido. Mas óbvio que tu não ia cair nessa de 'não li'... Embora eu caia, porque me surpreendo quando tu responde um scrap... Nem sei porque ainda te escrevo recados... Creio que você não se importa nem um pouco, responde por educação. Você sabe que me recuso a entender o real sentido do que tu escreve, fico apenas bebendo tuas palavras. Como o mais delicioso champagne. Mas de champagne se tornaram cicuta, tuas palavras, e vão me matando aos pouquinhos. Triste fim de todos os românticos... O escritor romântico que não morrer com um belo gole de cicuta jogou toda sua vida fora. O fim glorioso é necessário. O romântico manipula os finais. Sempre. Vive do passado. Controla as situações para que elas se tornem algo a ser lembrado. E foi disso que fui acusado por uma outra pessoa. Meu oráculo, por assim dizer, que me impediu de tantas bobagens em relação a nós. Engraçado como eu poderia ter copiado seu texto sem problema algum. Ainda acho tudo isso incrível. Desde o fim do ano passado. Quanta coisa transcorreu ou deixou de transcorrer... Minha razão e emoção se confundem e berram entre si, ambas dizendo as mesmas coisas, trocando papéis, vez por outra. E termina que acabo te escrevendo. E termina que tu não me escreve. E termina. Mas me diga, o que farei dos meus sonhos? Daquilo que escrevi e não mandei? Do ímã com teu nome gravado? Da noite de ano novo em que me afoguei em champagne e lágrimas? Me diga, antes, o que farei da minha vida? Sinto-me no limite de desabar, e sei que não há ninguém que me resgate, que me salve. Resta-me o lirismo não-comedido. E as lembranças. Como um romântico.
Terminou que estou tremendo de leve. E segurando algo que acabara de fluir livremente.
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