Viver em sonhos. Um sonho dotado de vida, arbítrio, personalidade. Os sonhos que repetem os dias os dias vividos. Ou a própria vida que surrupiou dos sonhos a magia, a criatividade dos momentos únicos. Tudo se confunde, vida e sonho; desejo e ação. Quando os olhos se fecham, sonhando um momento vivido, terminam, após um tempo, se abrindo suave e lentamente no final de um beijo.
E, depois de abertos, nada mais separa o que foi realidade do que é sonho, ou vice-versa. Misteriosamente, ambos são um. Com aquela luz etérea, do mundo sem peso, envolvendo-nos em uma realidade só nossa. A luminosidade em tons de ouro, róseos e alaranjados, se espalhando sobre a pele, sobre os olhos, pelo ar.
Sentados, vivíamos um, o outro. Aninhados nos nossos braços. Observando o sol partir. Único ponto em movimento no quadro que se estendia em frente aos nossos olhos, além das águas, multicolorida a ondular, misturando todos os azuis e dourados, róseos e alaranjados em silencioso degradê.
Silêncio. O quadro nos envolvia em seu silêncio. Éramos só nos dois entre as pinceladas suaves e leves, traçando os fios luminosos sobre o delicado azul crepuscular. A cena, por si só, já faria do momento, um daqueles inesquecíveis. Mas a cena não estava isolada. E os olhos a esqueciam, buscando o inesquecível nos detalhes do rosto colado. No sentir da respiração, dos lábios, dos corações.
Nesse momento, o inevitável se tornou inesquecível.

6 comentários:
Somente silêncio...
Nossa mente viaja profundamente nos sentimentos descritos nessas palavras. Belo demais!
Alessandra,
bom dia!
Indiquei seu poema intitulado "A Liberdade", postado em 27.04.2007, para o "PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS 'IN BLOG' 2007", idealizado por ANDRÉ L. SOARES e RITA COSTA. Para conhecer as regras desse evento clique AQUI. Desde já desejo-lhe boa sorte. Participe, faça também as suas indicações e, juntos, vamos construir um dos maiores eventos relacionados à poesia, em blogs de idioma Português!
Um abraço!
Navi Leinad Sàjanama
Felizmente de volta. Passei por aqui de vez em quando, nesses tempos de ausência, aguardando um retorno. Agrada-me te ver de novo por aqui. Um abraço de incentivo.
oi moça, namorada do Pjotinha ,D
obrigada por ter comentado, estamos vivendo momentos únicos...
é tão bom, não é mesmo?!
beijos
=*
Gostei do seu blog e dos textos. Encontrei vc pelo interesse sentimentos, que tb é um dos meus. Tenho um blog onde publico o que escrevo. Se puder, visite lá. Se gostar, ou não, comente. Pode ir, sou do bem. O endereço é:
http://textostentados.blogspot.com/
Um exemplo do que tem lá é:
Felicidade imortal.
Caminharam pela areia ainda morna.
Sentiram os cristais nos pés descalços.
Lembraram o dia de sol quente.
Fecharam os olhos diante do mar.
Pararam para descansar.
Forraram a areia irregular.
Tiraram a roupa de cima.
Deitaram-se lado a lado.
Ficaram em silêncio de suas vozes.
Ouviram o chiado de ondas calmas.
Sentiram a pele quente um do outro.
Alimentaram a felicidade com a beleza da noite.
Desejaram a eternidade do som do mar.
Prolongaram a vontade de não ver o fim.
Beberam, juntos, todos os licores do paraíso.
Perderam o controle sem querer encontrar.
Decantaram os sentidos diluídos.
Voltaram ao ar.
Viram estrelas testemunhas cravadas no céu preto.
Resmungaram as suas manhas profanas.
Enroscaram braços, pernas e bocas.
Caíram em cochilos sem perceber.
Acordaram com a umidade da maresia fria.
Observaram pescadores vigiando linhas esticadas.
Ouviram crianças rindo de brincadeiras inventadas.
Sentiram saudades do quarto, da cama e da proteção.
Voltaram para casa caminhando devagar.
Tomaram banho quente, juntos.
Brincaram com seus corpos molhados.
Secaram-se com tatos mútuos.
Deitaram-se na cama, perfumados.
Cheiraram-se.
Beijaram-se.
Lamberam-se.
Acariciaram-se
Abraçaram-se quietos.
Respiraram um só ar.
Dormiram aquecidos.
Acordaram aconchegados.
Brincaram com o sono.
- Vamos levantar...Um, dois três...Nada.
Seguiram-se alguns cochilos bêbados.
Uma manhã inteira de mel.
Depois de uma noite em calda.
Felicidade em cada instante.
Inesquecível.
Imortal.
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