8.17.2007

Viver em sonhos. Um sonho dotado de vida, arbítrio, personalidade. Os sonhos que repetem os dias os dias vividos. Ou a própria vida que surrupiou dos sonhos a magia, a criatividade dos momentos únicos. Tudo se confunde, vida e sonho; desejo e ação. Quando os olhos se fecham, sonhando um momento vivido, terminam, após um tempo, se abrindo suave e lentamente no final de um beijo.


E, depois de abertos, nada mais separa o que foi realidade do que é sonho, ou vice-versa. Misteriosamente, ambos são um. Com aquela luz etérea, do mundo sem peso, envolvendo-nos em uma realidade só nossa. A luminosidade em tons de ouro, róseos e alaranjados, se espalhando sobre a pele, sobre os olhos, pelo ar.


Sentados, vivíamos um, o outro. Aninhados nos nossos braços. Observando o sol partir. Único ponto em movimento no quadro que se estendia em frente aos nossos olhos, além das águas, multicolorida a ondular, misturando todos os azuis e dourados, róseos e alaranjados em silencioso degradê.


Silêncio. O quadro nos envolvia em seu silêncio. Éramos só nos dois entre as pinceladas suaves e leves, traçando os fios luminosos sobre o delicado azul crepuscular. A cena, por si só, já faria do momento, um daqueles inesquecíveis. Mas a cena não estava isolada. E os olhos a esqueciam, buscando o inesquecível nos detalhes do rosto colado. No sentir da respiração, dos lábios, dos corações.


Nesse momento, o inevitável se tornou inesquecível.

6 comentários:

citadinokane disse...

Somente silêncio...

Navi Leinad disse...

Nossa mente viaja profundamente nos sentimentos descritos nessas palavras. Belo demais!

Navi Leinad disse...

Alessandra,

bom dia!

Indiquei seu poema intitulado "A Liberdade", postado em 27.04.2007, para o "PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS 'IN BLOG' 2007", idealizado por ANDRÉ L. SOARES e RITA COSTA. Para conhecer as regras desse evento clique AQUI. Desde já desejo-lhe boa sorte. Participe, faça também as suas indicações e, juntos, vamos construir um dos maiores eventos relacionados à poesia, em blogs de idioma Português!

Um abraço!

Navi Leinad Sàjanama

Yúdice Andrade disse...

Felizmente de volta. Passei por aqui de vez em quando, nesses tempos de ausência, aguardando um retorno. Agrada-me te ver de novo por aqui. Um abraço de incentivo.

Narianne disse...

oi moça, namorada do Pjotinha ,D
obrigada por ter comentado, estamos vivendo momentos únicos...
é tão bom, não é mesmo?!
beijos
=*

OverLove disse...

Gostei do seu blog e dos textos. Encontrei vc pelo interesse sentimentos, que tb é um dos meus. Tenho um blog onde publico o que escrevo. Se puder, visite lá. Se gostar, ou não, comente. Pode ir, sou do bem. O endereço é:
http://textostentados.blogspot.com/

Um exemplo do que tem lá é:

Felicidade imortal.

Caminharam pela areia ainda morna.
Sentiram os cristais nos pés descalços.
Lembraram o dia de sol quente.
Fecharam os olhos diante do mar.

Pararam para descansar.
Forraram a areia irregular.
Tiraram a roupa de cima.
Deitaram-se lado a lado.

Ficaram em silêncio de suas vozes.
Ouviram o chiado de ondas calmas.
Sentiram a pele quente um do outro.
Alimentaram a felicidade com a beleza da noite.

Desejaram a eternidade do som do mar.
Prolongaram a vontade de não ver o fim.
Beberam, juntos, todos os licores do paraíso.
Perderam o controle sem querer encontrar.

Decantaram os sentidos diluídos.
Voltaram ao ar.

Viram estrelas testemunhas cravadas no céu preto.
Resmungaram as suas manhas profanas.
Enroscaram braços, pernas e bocas.
Caíram em cochilos sem perceber.

Acordaram com a umidade da maresia fria.
Observaram pescadores vigiando linhas esticadas.
Ouviram crianças rindo de brincadeiras inventadas.
Sentiram saudades do quarto, da cama e da proteção.

Voltaram para casa caminhando devagar.
Tomaram banho quente, juntos.
Brincaram com seus corpos molhados.
Secaram-se com tatos mútuos.

Deitaram-se na cama, perfumados.

Cheiraram-se.
Beijaram-se.
Lamberam-se.
Acariciaram-se

Abraçaram-se quietos.
Respiraram um só ar.
Dormiram aquecidos.

Acordaram aconchegados.
Brincaram com o sono.
- Vamos levantar...Um, dois três...Nada.
Seguiram-se alguns cochilos bêbados.

Uma manhã inteira de mel.
Depois de uma noite em calda.

Felicidade em cada instante.
Inesquecível.
Imortal.