2.12.2007

A anti-inércia.

"De repente,por uma fração de segundo, sentimos que toda a nossa vida está justificada,
nossos pecados perdoados, o amor é sempre mais forte e pode nos transformar definitivamente.
Mas também é nesse momento que temos medo. Entregar-se por completo ao amor,
seja ele divino ou humano, significa renunciar a tudo, inclusive ao seu próprio bem-estar,
ou sua própria capacidade de tomar decisões. Significa amar no mais profundo sentido da palavra.
Com o amor é assim: ele chega, instala-se e passa a dirigir tudo."
Paulo Coelho (A Bruxa de Portobello)


Às vezes o coração resolve dar passos à frente sem consultar o passado. Às vezes o que fazemos parece não ter sido de nosso arbítrio. Às vezes é como se algo nos impulsionasse a tomar a decisão mais improvável. Às vezes esta decisão acaba sendo a certa. Às vezes as palavras somem repentinamente. E às vezes louvamos o silêncio de um luar. Às vezes as almas parecem se entender sem som algum. E então descobrimos que, sobre o amor, só o tempo dirá. Às vezes aceitamos sem pensar. Às vezes lutamos para confiar. Às vezes tudo se mostra complicado, escuro e repleto de lágrimas. Mas às vezes aceitamos essa visão com a promessa dos sorrisos que está por trás. Às vezes o medo de amar é superado, deixamos nossas mãos serem tomadas e permitimos um par de pegadas ao lado das nossas. E quando o coração chora baixinho, às vezes fazemos novas promessas consolando. Às vezes um abraço e um olhar se tornam eternos. Quando uma redoma de vento parece nos isolar do resto do mundo. Às vezes os lábios segredam suas palavras mudas, o tempo parece passar ao contrário, o corpo parece deixar a alma um pouquinho mais folgada, saindo pelos poros. O coração parece ser o único a entender. E às vezes nos assustamos com isso. É quando sentimos uma certa mágica. É quando nenhuma palavra pode explicar. É quando, mesmo sentindo, lutamos para acreditar. Às vezes entendemos, em um segundo eterno, tudo o que muitos sonham entender em toda a sua vida, quando o universo inteiro parece parar e se refletir dentro daquelas almas abraçadas ao silêncio do luar.
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