4.27.2007

A Liberdade



Aquele véu que se deixa cair pelo rosto, passando pelos ombros,
tocando o corpo como um sopro.
Aquele véu que é o sonho, ao lado do sono no fim do dia,
à luz das estrelas.
Ao som dos carros solitários que retornam às casas.
Enquanto, aos poucos, algumas das luzes
dos apartamentos vão se apagando.

Aquele véu feito de nuvens, de magia,
de sossego.
Daquela mistura suave de sono e sonho que vicia e alivia.
Que não prende em curva alguma do corpo.
Que, simplesmente,
escorre.

E assim é a liberdade. Aquela que te deixa pensar sem duvidar de si.
Sem tentar encontrar bons argumentos para ser o que é.
Sem temer possíveis e prováveis críticas.
Porque não entendem o que é ter princípios.
É isso o que basta: tê-los.
E não viver uma vida sem qualquer ponto de apoio.

É a liberdade, aquela que te permite falar todos os teus sentimentos.
Aquela que acompanha a certeza de ter te encontrado
contigo mesmo,
e agora te entenderes em todas as nuances.
E que maravilhosa é essa certeza de saberes o que és,
o que queres.
De entender e assumir teus sonhos.
Por mais que os outros os julguem
vãos.

Tal qual o véu, que permite-se escorrer sem amarras,
está a certeza da liberdade.
A firmeza dos movimentos.
A certeza dos atos.
As palavras, que há muito deviam ser ditas,
libertam-se do cárcere que antes as detinha.
Escrevem-se todas,
sem receio de errar.
Escrevem-se, contornando todos os riscos.
Todas as impossibilidades.

E as palavras não saem como berros.
Saem como nada mais do que um leve murmurar,
a ser lido no silêncio de um quarto.
Um quarto que está fora do alcance da visão.
Em alguma esquina que os olhos
lutavam para encontrar.

E as palavras não mais procuram
– por entornos, rodeios, curvas, espelhos –
esconder, como as máscaras,
o que a alma sente.
Como o véu, que desnuda o corpo, passando por cada ponto,
por cada curva,
tal qual um sopro.

A palavra, feita de sonhos, de saudades, de amor.
Sim, uma meta.



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De 15.04.2007

4.12.2007

Haja o que houver

.



meu silêncio denuncia minha paz.

4.11.2007

socorro! idéias muitas amontoadas montes cacos cantos sonhos sons janelas. estou presa nesse retângulo! elas não querem se organizar! e acabou o espaç