5.14.2007

O poema.

O toque se mostra como a realização de um sonho, há muito alimentado. A aproximação é lenta. Como se cada leve movimento houvesse sido construído por uma das noites de sonhos com a outra pessoa. Ou melhor, construído por cada fragmento de sentimento que, efusivamente, se deixava faiscar nas linhas que ligavam os dois pares de olhos ao longo de longos meses. A aproximação é caprichosamente levada por cada nuance – daqueles que só a alma compreende por completo – e que, naquele momento, era transformado em realização. O instante que o precedia era repleto do nada. Do não pensamento. Da não intenção. A cada instante, o momento do toque se aproximava. Como se todos os sonhos confluíssem à mente. Quase o toque. A mente quase em êxtase. Quase o momento de libertar todos os sentimentos, sonhos, súplicas, sussurros encarcerados e abstratos. E o toque se consuma. Quase nem toque é. A tinta desliza pelo papel formando curvas das mais doces, por linhas das mais delicadas. A mente escorre através do toque e se espalha pelo papel, moldando as trilhas da tinta. A ponta da caneta, como a ponta da sapatilha, baila e salta, tão delicada. Tece a tela das linhas e letras, tão completas. O ballet prossegue.
O toque se consuma. Tão suave...

5.02.2007

Estudo.


O grupo estudava. Estudava. Se reunia e estudava. Conversava, ria e estudava.
Então olharam, uma noite, para o céu. A lua sorria e as estrelas piscavam.
E lembraram de viver.
Pararam, sorriram e viveram.