8.17.2007

Viver em sonhos. Um sonho dotado de vida, arbítrio, personalidade. Os sonhos que repetem os dias os dias vividos. Ou a própria vida que surrupiou dos sonhos a magia, a criatividade dos momentos únicos. Tudo se confunde, vida e sonho; desejo e ação. Quando os olhos se fecham, sonhando um momento vivido, terminam, após um tempo, se abrindo suave e lentamente no final de um beijo.


E, depois de abertos, nada mais separa o que foi realidade do que é sonho, ou vice-versa. Misteriosamente, ambos são um. Com aquela luz etérea, do mundo sem peso, envolvendo-nos em uma realidade só nossa. A luminosidade em tons de ouro, róseos e alaranjados, se espalhando sobre a pele, sobre os olhos, pelo ar.


Sentados, vivíamos um, o outro. Aninhados nos nossos braços. Observando o sol partir. Único ponto em movimento no quadro que se estendia em frente aos nossos olhos, além das águas, multicolorida a ondular, misturando todos os azuis e dourados, róseos e alaranjados em silencioso degradê.


Silêncio. O quadro nos envolvia em seu silêncio. Éramos só nos dois entre as pinceladas suaves e leves, traçando os fios luminosos sobre o delicado azul crepuscular. A cena, por si só, já faria do momento, um daqueles inesquecíveis. Mas a cena não estava isolada. E os olhos a esqueciam, buscando o inesquecível nos detalhes do rosto colado. No sentir da respiração, dos lábios, dos corações.


Nesse momento, o inevitável se tornou inesquecível.