12.16.2007

Valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era o seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só n'um canto, p'ra seu grande espanto, convidou-a p'ra dançar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não quisera ousar
No seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade, enfim, se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz.
(Chico Buarque - Valsinha)

E melhor é saber que assim é em todos os dias.

12.03.2007

Vida.

Noite, silêncio, nuvens, frio, luzes.
Recostados na cadeira, com os rostos quase colados. Os olhos abertos, analisando, cada um, os detalhes do outro. A única iluminação eram as luzes natalinas ao nosso redor. E aquele ar etéreo. Como se uma substância de sonho nos tivesse envolvendo. Aquele sorriso interno.

"Parece que isso é um sonho, que não é real..."

"E essa é a melhor parte, não?
Bem vinda à vida, meu sonho"

[Beijo.]

"Bem vindo ao sonho, minha vida".

[Sorriso.]

O melhor - dentre tantos outros melhores - é poder dizer que retrato este momento literalmente, sem licenças poéticas.
Somos ambos personagens de um livro bem escrito, de fato.