3.31.2008

gratidão, orgulho, admiração.

Sempre costumei perguntar o que seria o amor e, na última oportunidade que ela teve, me mostrou que o amor puro era simplesmente a presença dela aqui. A preocupação, a mão que se estendia mesmo quando eu julgava que não precisaria, o ombro que estava ali pra absolutamente todos os momentos, a força que nunca acabou, a esperança que só fazia aumentar, a coragem pra enfrentar todas as lutas, todas as barreiras (inevitáveis). Horas antes de ir, quando só uma visita era permitida e eu consegui poder entrar depois do meu pai, ela me olhou e, ao me ver, seus olhos brilharam tanto como se eles falassem todo seu alívio, toda a sua alegria em me ter por perto. Foi o último momento que ela pôde demonstrar a felicidade que tinha ao me ter ali, ao lado dela; o alívio que sentia... e, no último momento, ela conseguiu me fazer ver que todas as outras vezes na nossa vida que estivemos ao lado uma da outra, era isso que ela sentia e eu não sabia... Ela me fez entender na última oportunidade que teve, o valor que sempre tiveram os momentos que estávamos juntas para ela. Dizia incansavelmente que me amava e dizia para que tivéssemos força, sempre. Ela nunca desistiu. Se aceitou o fim, foi quando ele mesmo acontecia. E o aceitou com a certeza de que fez tudo o que pôde.

Ela sempre fez tudo o que pôde. Lutou de todas as formas, aceitou todos os tratamentos, ouviu nãos e, se lhe fosse possível, ainda, se arriscaria em outras e outras tentativas de cura. Aliás, cura era a palavra que ela mais falava. Ela sempre fez tudo o que pôde. Mesmo no leito da CTI, ouvindo um dos médicos falando que colocaria marca-passo em algum dos outros pacientes, chamou-o para avisar que o médico anterior decidira que não era pra fazê-lo. Fez o que pôde nos dando forças e tendo forças por nós quando fraquejávamos. Ainda que debilitada, em tudo o que fazíamos, a voz dela ressoava nas nossas cabeças apontando direções e ensinando como deveríamos fazer. Ela sempre fez tudo o que pôde por ela, mas por nós ainda antes dela, e pelos outros. Por todos os outros que queriam conversar, que queriam conselhos, que queriam ouvido. Ela se entregou à vida como poucos se entregam e amou como talvez ninguém tenha amado. Ela é força, mulher. Ela é amor!

Em outra visita que pude fazer, ela apertava a minha mão e, quando lagrimei por vê-la ali, longe de nós, apertou mais ainda e só dizia "não minha linda, não..." com um olharzinho triste que me matava por dentro... Contou-me que ela estava bem e que dormia sem dores por lá. Só acordava quando o papai fazia carinho na cabecinha dela chamando "meu amorzinho... meu amorzinho...". A despedida era sempre o que mais doía... Ela puxou a máscara de oxigênio para conseguir beijar a minha mão. Afastamos-nos com nossos beijos e, ah... como eu te amo, mãezinha... Como eu te amo... Mas você pode ir em paz, agora, fique em paz...

Depois de uma vida de lutas, de um ano com todas as forças canalizadas, com os olhos já fechados e a respiração silenciosa, ela recebeu o carinho da filha. E recebeu-a cantando para que dormisse, como fazia com os seus "filhotes" há tempos. Ela sentiu todo o amor e partiu com um beijo, partiu tranqüila para outra dimensão, para estar entre nós. Meu amorzinho... Meu tudo que sempre sonhei e nem sempre enxerguei... Minha mãezinha, você já pode descansar em paz. Já chega de tanto sofrimento, já chega de lutar. Você já pode descansar em paz, meu amor, pertinho de Deus e de todos os entes queridos. Você cumpriu a sua missão.

Você deixou pérolas na terra, se deixou entre nós, em nós. Sempre será motivo de orgulho ter tido uma guerreira como você conosco, nos ensinando a viver, porque os melhores ensinamentos se dão quando temos um exemplo a se seguir quando estamos começando a encarar a vida. Você é esse exemplo. E nós estamos começando a ter uma vida sem você ao lado, mas com você dentro de nós. Levaremos cada olhar seu, cada toque. Você não precisa mais se preocupar com aquela luta que parecia interminável. Agora, em paz, você pode olhar e ver que nos deixou muitas lições e, dentre todas, uma é a força inesgotável que, agora, deveremos nos provar que aprendemos. Enquanto começamos a nos provar, vamos caminhando, nos abraçando, chorando e almejando que a dor, por fim, cesse, muito embora a saudade persista e aumente. Mas continuando com cada palavra que nos dão, cada abraço e cada ombro que oferecem para vermos que não estamos sós e para deixarmos que a força que você plantou dentro de nós, saia e nos levante. Força que você plantou com toda a coragem e esperança que em nenhum momento lhe faltou. Você foi a pessoa mais forte que conheci.

Agora, a sua paz, o seu descanso são o que nos dá força para caminhar e nos impulsiona a sorrir junto a você, porque você está bem. Porque você é o maior exemplo de vida, de força, de determinação... O exemplo que temos a seguir e que nos impulsiona à frente. Porque, descobri já há algum tempo, que você é amor. O amor que eu sempre procurei para tentar entender, estava bem ao meu lado em todos os momentos da minha vida! Estava bem ali, querendo a minha presença ao seu lado... Por mais que eu não tenha chegado a entender, consegui encontrar e ver que o incondicional existe sim, e é você, mãe. Agora, sorria em luz e continue a nos guiar, como sempre você fez.

Nós amamos muito você, mãezinha... como amamos você.

Alessandra Gorayeb Martins

_________________________________

7 dias



Como é Grande o Meu Amor por Você - Roberto Carlos

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você
E não ha nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor, nem mais bonito

Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Nunca se esqueça nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você

Mas como é grande o meu amor por você.


3.29.2008

.preto

a vida é um feixe de luz entre duas escuridões, para nietzsche.


mas alguém me falou que, quando alguém nasce, todos sorriem e só ele chora e que quando alguém morre, todos choram e só ele sorri.

pois que ela sorria em luz e nos guie como sempre guiou.


branco.