
As nuvens passam, as gotas caem. O céu se tinge de todos os tons, do ouro ao azul. E olho para as jóias incrustadas no breu, ou para os raios se lançando ao chão. Para a limpidez do horizonte ou a branquidão das tempestades. Vejo-me procurando seus olhos, sua face. Vejo-me aguçando os ouvidos: tento ouvir sua alma. Sentir a brisa da sua voz e o cheiro da sua presença. Desejo poder ouvir, sentir, ao invés de lembrar. Ao invés de desejar. Desejo poder lhe falar ao invés de escrever. Sentir seu abraço, seu coração. Viver minha vida com você em todos os pontos e cantos e meios, como sempre foi. E sei que sempre será, porque neste ano, tudo se intensificou, menos a dor. Tudo encontrou você em algum momento. E de tudo que vivemos, lembro com você, com a sua presença. Por estas linhas, por este fato, encontro-me com sorrisos nos olhos, com gotas de amor escapando pelos cantos. Sinto esta felicidade serena que entra em compasso com o coração enquanto as linhas se fazem. Sussurro as palavras que minha alma vai escrevendo. Sei que de tudo você já sabe antes de mim, porque as almas se entendem entre si melhor do que podemos entendê-las pelas palavras. Permito-me escrever a você, enfim. Depois de tantas noites a ouvir apenas o ruído do breu e o medo de escrever para poupar o coração das lágrimas, permito-me derramar a tinta pelo papel, desenhando as curvas e os caminhos que fotografam meus sentimentos. Permito que o ballet que vivemos com você, sua presença e suas lembranças, se eternize entre as linhas. Neste ano, você continuou presente e nós ondulamos os sentimentos, entre lágrimas e sorrisos, sentindo falta e compreendendo até que a saudade se elevou e equilibrou os extremos. Vejo-nos admirando a sua beleza em cada cor do céu. Sentindo seu toque a cada gota que cai. Sua respiração a cada brisa na nossa pele. E, além de todos esses sentimentos, sinto-nos sentindo o seu amor todos os dias, em cada viagem, em cada sorriso, em cada lembrança.

5 comentários:
Lindo. Belíssimo. De arrepiar... e ficar sem palavras.
Alê, lindo texto. Antes não o entenderia plenamente, mas depois de perder a vovó nesse início de ano, tenho uma ideia de como é perder alguém que sempre esteve perto, dando conselhos, escutando, ajudando, apoiando de forma incondicional...
Mas não fiquem tristes. Como você falou: a presença dela é eterna. E, com o tempo, fica ainda mais forte nas pequenas coisas.
Muita força pra ti e pra tua família.
Beijo, Guto.
O texto maravilhoso é naturalmente explicado pela força e beleza do sentimento que o inspirou. Espero que, a esta altura, tu e o restante da família consigam encarar essa transição com maior serenidade e uma visão mais ampliada quanto ao futuro. Um abraço imenso.
Olá, Alê. Venho observando seu blog a dias, lendo seus escritos e principalmente observando seu julgamento no caso dos exploradores de cavernas. Gostaria de parabenizar pelo trabalho aqui exposto. Tenho também um blog, porém apenas voltado para discussões jurídicas, gostaria que me desse alguns "toques". Se puder me add no msn, dko_mv@hotmail.com. Beijos.
lindas palavras de amor e afeto eternos.
Postar um comentário